Fernando Gomes e a paixão por bonecos na TV

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O toque do celular é Manah, Manah, a clássica canção gravada pelos Muppets. Na cristaleira da sala, bonecos dos personagens do filme Muppets 2, lançado pela Disney este ano. Em um lugar especial da casa repousa sossegado um Muppet original, criado por ele em um cantinho da famosíssima loja de brinquedos de Nova York FAO Schwarz. Trata-se do estande do The Muppets Whatnot Workshop, onde qualquer pessoa pode criar seu próprio Muppet, escolhendo a cor do corpo, tipo de olhos, boca, nariz, roupas, etc.

FERNANDOGOMESFOTO

Poderia até ser a descrição da minha casa e da minha paixão pelos bonecos criados pelo norte-americano Jim Henson, falecido em 1990 e que há exatos 45 anos revolucionou o conceito de televisão para crianças com a criação do programa educativo Sesame Street. Mas não é, óbvio. Estou falando do ator Fernando Gomes, um dos principais bonequeiros da televisão brasileira. O criador e manipulador de Júlio, o adorável menino da Turma do Cocoricó, da TV Cultura, programa que este ano completou 18 anos de vida, e de tantos outros personagens. A primeira vez que conversamos sobre esta paixão em comum foi em uma entrevista em virtude da segunda versão do Vila Sésamo no Brasil, na qual ele interpretou o boneco principal: o super amarelo Garibaldo. Comentamos detalhes de um famoso documentário sobre Henson e ali nasceu um respeito mútuo.

Fernando Gomes começa a sua história onde eu também “vivi” (mesmo que lá da minha sala da infância): no Bambalalão, programa infantil que a Cultura exibiu de 1997 a 1990. Ele saía da faculdade de artes plásticas e viu naquele teatro de bonecos comandado principalmente por Memélia de Carvalho (Maria Balinha) e Chiquinho Brandão (João Balão) um caminho para sua arte. Na verdade, ele resgatava uma paixão de criança, quando assistia ao Vila Sésamo de Sônia Braga e Aracy Balabanian e dos bonecos Ênio e Beto.

Ele conta que decidiu, assim, fazer seu primeiro boneco em meados de 1980. Levou cinco meses para ficar pronto. Um tempo depois, foi assistir a uma peça infantil e ouviu uma voz conhecida: era Memélia. Contou à artista sobre o boneco e ela pediu para ver. Bastou conhecer a obra de Fernando para sugerir que a colocassem no ar. Outros artistas viram e passaram a fazer suas encomendas. Aí, enfim, correram os caminhos de Fernando, como aquelas histórias de biografias que adoramos saber: um dia, ele precisou substituir uma atriz no Bambalalão e nunca mais saiu da TV. E lá se vão mais 28 anos de TV Cultura.

FERNANDOGOMESJULIO

Do Beleléu – o tal primeiro boneco – até 2014 foram trilhas de muita criatividade e algumas decepções. Fernando faz parte dos tempos áureos da programação infantil brasileira, tendo participado de outros programas como X-Tudo, Agente G, Qual é, Bicho?, Cocoricó – no qual chegou a ser diretor – e até mesmo o tão comemorado este ano Castelo Rá-Tim-Bum, onde manipulava o Gato Pintado, o Relógio e o Fura-Bolos. Mas foi no Cocoricó, que este ano completa 18 anos de nascimento, sua maior alegria e sua maior tristeza. Com o “Cocó”, Fernando viu um show ser reconhecido por importantes prêmios, fazer parte de milhares e milhares de infâncias, crescer e mudar de formatos mas, infelizmente, assistiu também ao seu fim, casado com a falta de investimento na programação de televisão para crianças no Brasil.

Depois de ter assumido até a gerência da programação infantil da TV, Fernando hoje está ligado à emissora para dar vida ao Júlio em projetos especiais. Não fará parte da nova versão do Vila Sésamo – programada para 2015 -, mas acompanha tudo que pode como um verdadeiro apaixonado. Felicita, também, a qualidade de Que Monstro Te Mordeu?, o mais recente programa da TV Cultura com direção de Cao Hamburger, que tem bonecos na maioria do elenco. Paralelamente, faz a direção de programas do Zoomoo, canal infantil da Sky, com personagens como Muriqui. E, “almamente”, como diria Guimarães Rosa, aguarda um olhar mais cuidadoso para os shows com bonecos da TV, coisa mais do que merecida e urgente.

Confira aqui trechos de uma ótima conversa que tive com ele.

ESCONDERIJOS: Queria contar mais uma vez uma história. Meus irmãos têm grande diferença de idade comigo (20, 16 e 9) e cresci ouvindo que nada na TV se comparava ao Vila Sésamo…

FERNANDO: Sim, o primeiro é de 72, não tinha videotape fácil. Você viu o especial da Cultura, não?

ESCONDERIJOS: Vi sim! Tenho gravado este e um documentário exibido pelo A&Mundo, que eu lembro que você também tem… Então sempre tive esta influência e assisti muito com eles ao Muppet Show, e quando a gente vê a história, por exemplo, dos Muppets, a gente sabe da preocupação do Jim Henson de fazer um programa para toda a família…

FERNANDO: O Muppet Show não era infantil. As crianças gostavam porque os bonecos são lindos… eu tenho três temporadas dos Muppets, é genial, muito além do que se fazia.

ESCONDERIJOS: E hoje vejo dois grupos de pessoas diante do Vila Sésamo de 2007, que você gravou como Garibaldo (e tinha ele e a Bel, uma boneca criada para o Brasil, com reportagens e esquetes traduzidos): o dos nostálgicos, com frases como “ah, esse aí não é igual ao que EU assistia…”

FERNANDO: E eles têm toda razão! Os pais esperavam que os filhos vissem algo parecido com o programa antigo, criou-se uma muita expectativa.

ESCONDERIJOS: E até porque veio o Garibaldo como figura, igual ao original, o Big Bird, ao invés…

FERNANDO: Do Laerte Morrone! Figura fantástica!

ESCONDERIJOS: E um outro grupo também que acha “ah, hoje eu vejo ou lembro e acho tudo bobo, um jeito de ensinar letra e número… “. Como pensar sobre isso na hora de criar um roteiro?

FERNANDO: Você sabe que eu ainda acho o máximo até hoje aquela versão? O que é complicado para o meu saudosismo é que mudou o método de aprendizagem. “Vamos contar números” “Vamos ver cores”, “perto e longe”. Mas ouvimos um “não é assim mais” que se ensina as crianças. Difícil casar estas várias correntes educacionais. Eu realmente olho hoje e ainda acho muito bom. Foi uma geração inteira preparada desta forma… o que tem isso de “não pode mais”?

FERNANDOGOMESBONECOAZUL

ESCONDERIJOS: E os bonecos ficam. Tenho há muitos anos aquele boneco grande do Elmo, que era vendido em lojas, eletrônico, que se mexe, dá risada, etc. E também tenho um Muppet criado na FAO Schwarz de Nova York…

FERNANDO: Eu tenho um! O meu tem uma jaqueta de couro e é azul.

ESCONDERIJOS: O meu tem um trench coat, que parece a roupa do Sapo Caco como repórter do Vila Sésamo! E como é divertido criar o próprio Muppet! Meu marido e eu ficamos horas escolhendo os olhos, o nariz… e quando eles vão montar e a gente vê aquelas gavetas de olhos, cabelos! Assim, minha filha nasceu nesse universo. Eu tinha uns DVDs da Vila Sésamo e um dia ela viu um do Ênio em que ele ensina a contar e quis assistir, e a partir do momento que ela conheceu o Elmo boneco, começou a arrastá-lo para tudo quanto é lado da casa, e aí dorme com ele e é o primeiro que ela quer abraçar quando chega da escola… Claro, totalmente influenciada por mim…

FERNANDO: Sim, influenciada por você, mas tem alguma química nisso… Eu era um apaixonado pelo Vila, mas o programa não era para um menino de 9, 11 anos… era para criança menor! E eu amava.

ESCONDERIJOS: Meu irmão mais velho tinha quase 20 anos quando o primeira Vila estreou. E ele assistia com a minha irmã, adolescente na época, e o meu irmão mais novo, com uns 7, 8 anos… E eu nem havia nascido. E, para a festa de aniversário de 2 anos da minha filha, compramos vários bonecos para compor a mesa do bolo…

FERNANDO: E criar a corja toda! (risos)

ESCONDERIJOS: O que, afinal de contas, é o legado de Jim Henson? Pensando no que é televisão de qualidade para criança…

FERNANDO: É difícil avaliar a importância do Jim… neste documentário do Biography, contam que o Vila Sésamo nasceu sem bonecos. E, no meio da ideia, ah, vamos fazer algo com bonecos e as pesquisas descobriram que eles estavam fazendo mais sucesso que tudo. Acho que são coisas meio intuitivas que acabam se firmando de maneira meio inexplicável ou por carisma também. Porque não basta ser só competente e muito bom. Tem gente assim que simplesmente não acontece. Um ou outro muito bom acontece e explode, o caso do Jim Henson. Eu, que depois passei a trabalhar com isso, vi que Jim conseguiu mostrar que você pode fazer um trabalho muito sério e muito simples – como um boneco de luva, o Sapo Caco – ou até um mais tecnológico, como no filme Labirinto. Não dá para entender o que é esta importância, só sei que é grande. E como explicar que eu, adulto, saindo da faculdade de artes, me apaixonei por um programa infantil chamado Bambalalão? O que eu gostei naqueles bonecos e não em de outros programas? Os bonecos do Bamba tinham uma manipulação muito parecida com os do Vila Sésamo. Não era só pegar um pedaço de pano e sacudir. Era muito mais que isso. E se a pessoa consegue dar verdade, dar vida, pronto. Hoje tenho total consciência de que o que me encantou foi a conexão com a minha infância e o que eu via no Vila Sésamo e depois nos Muppets. Poxa, era tudo junto. O Ênio e o Beto, aquele pássaro gigante! Laerte Morrone… uma das minhas grandes frustrações foi não tê-lo conhecido (Laerte morreu em 2005). Ele é um gênio tão especial quanto Caroll Spinney, que faz o Garibaldo nos Estados Unidos, com a diferença de que lá ele é mais respeitado. São gênios. A maior contribuição – e a TV Cultura é a maior herdeira disso no país e a que mais deu continuidade a programas com bonecos, utilizados para educação e entretenimento – é você ver que aquele boneco pode ajudar muito na solução de problemas de como você quer levar determinado assunto para uma criança. Isso eu acho o mais fantástico, pois você pode ter desde um personagem-boneco que seja completamente ingênuo e precisa perguntar tudo, como você pode ter o mais sábio de todos. Na boca de alguém pode ficar chato, mas na boca de um boneco talvez não.

ESCONDERIJOS: E como está a produção nesta área?

FERNANDO: Infelizmente, está secando tanto quanto as nossas represas… não vejo horizonte. Me preocupa demais quando vejo uma TV como a Cultura diminuindo sua programação infantil. Me arranca a alma. E não estou olhando o meu lado. E a formação televisiva das novas crianças? Ninguém quer colocar grana nisso. O projeto do Cao Hamburger está saindo por outros caminhos. Ninguém procurou a TV. O Sesi já tinha uma parceria com a parte do núcleo de educação e um vice-presidente da época viu aí um caminho. Quis mudar algo e chamaram o Cao, que trouxe o Pedro e Bianca. Este novo projeto do Cao, Que monstro te mordeu, é muito antigo e chamava-se Crocs. E aí o projeto foi apresentado e aprovado na TV Cultura, mas feito fora da TV, foi produzido por um longo tempo, com muito mais bonecos que humanos – bem diferente do Castelo, diga-se.

ESCONDERIJOS: Mas qual seria o modelo ideal?

FERNANDO: Difícil mudar a cabeça de todos envolvidos. Merchandising dentro de programas infantis não, nunca! mas na hora do programa de TV, um “apoio tal e tal”. E o anúncio entra em outro horário, para a programação adulta. E aí, sim, pode ser, por exemplo, banco, porque o anúncio não é para a criança, mas fica a imagem que a empresa acredita naquilo.

Não é questão da qualidade apenas, mas da continuidade… Minha passagem como gerente da programação infantil na TV Cultura tinha o interesse principal de voltar a produzir programas menores. Claro que eu queria um Castelo, mas se sonhar com o Castelo não vai acontecer nada. Sou de uma época que a TV Cultura produzia Bambalalão, Catavento, Revistinha, Glub Glub, X-Tudo, Cocoricó… tudo programas pequenos, mas muito bons, respeitados e premiados.

ESCONDERIJOS: Pequenos em qual sentido?

FERNANDO: De produção, pequeno de barato. Todos esses programas mantinham a programação de televisão infantil contínua. Conversando com o Cao e tentando defender esta bandeira, ele disse: “foram eles que fizeram a cama para o Castelo”… ou seja, a TV já era querida, respeitada por isso e aí entra um megaprojeto. Para você ter uma dimensão: Mundo da Lua, grande produção, dinheiro do Sesi; o Rá-Tim-Bum, dinheiro do Sesi; o Castelo, também e Ilha Rá-Tim-Bum, Bradesco. Não dá para comparar, por exemplo, com Cocoricó. Cresceu muito, mas nasceu pequeno. Não teve patrocinador, tudo feito na Cultura. E começou-se a viciar em megaprojetos, pela visibilidade, grandiosidade… Sempre querendo fazer maior… Em 2001, quando decidiram fazer o Ilha, desligaram todos os outros programas infantis. Depois, mais para frente, viram que estavam sem nada, e aí, para minha sorte, resolveram manter o Cocoricó e, por isso, ele sobreviveu mais. Quando no final de 2010 me tornei gerente lá, pedi para continuar no estúdio, criando e produzindo, que é o que mais gosto de fazer. Então montei um projeto para voltarmos a produzir programas menores. Eu acreditava que a gente tinha que continuar em produção e o que viesse a mais seria lucro. Logo que virei gerente, acompanhei uma pesquisa daquelas com espelho e o resumo foi: a TV Cultura é muito querida, muito lembrada da programação infantil mas, quando você pergunta o que assistem, ou as pessoas não sabem ou citam programas que não eram mais produzidos e, ainda diziam: a TV Cultura é legal mas só tem reprise.

Então dedicimos mudar isso, mas como? Vamos para o ao vivo! Eu levava seis meses para produzir 26 episódios de 15 minutos! É lindo, superproduto, vira DVD e eu adoro, mas não é nossa realidade. Assim nasceu o Quintal da Cultura para fazer cabeça de desenho, como era o Glub Glub. 45 minutos a uma hora de inédito por dia. Cocó ao vivo, ousadia, programa de bonecos ao vivo! Uma hora de TV Cocoricó diário e inédito. Aí fizemos o Cartãozinho Verde, que era gravado em dois dias, mas apresentado diariamente e inédito. E tudo isso dava vida aos estúdios! Todos “brigando”, no bom sentido, para usar o estúdio!

ESCONDERIJOS: E você ficou no cargo até…

FERNANDO: Fui desligado em 2013, quando entrou a nova administração da TV e hoje sou contratado para dar vida ao Júlio.

 

FOTO DE BASTIDORES DO COCORICÓ DO BLOG DE FERNANDO - imagememagia.blogspot.com.br
FOTO DE BASTIDORES DO COCORICÓ DO BLOG DE FERNANDO – imagememagia.blogspot.com.br

ESCONDERIJOS: Bem, na sua visão, o primeiro passo para dar o que o público merece é terminar com as reprises, garantir o ao vivo…

FERNANDO: Olha, as turbulências acontecem. A gente tem que pensar que a TV Cultura tem problemas graves financeiros, mas tem de buscar alternativas. Acho que o primeiro passo é mesmo produzir coisas boas, criativas, interessantes e baratas, independente se ao vivo ou gravado. A TV tem que olhar para o seu passado…

ESCONDERIJOS: Mas tinha muito mais dinheiro?

FERNANDO: Tinha mais dinheiro, mas tinha mais criatividade. É como comparar as músicas da ditadura: por que eram geniais? Porque o compositor tinha que burlar a censura. Tem que se buscar alternativas. O Bambalalão, por exemplo, hoje seria um programa inviável de caro. Mas na verdade era de uma genialidade e de um abuso de criatividade que o tornavam muito barato! O programa tinha uma hora e meia no ar. Era assim: a abertura, falava-se mais ou menos o que ia ter no programa, as crianças entrando. Ia para o teatro de bonecos, 3, 4, minutos. Mandava para as artes com o Professor Parapopó, ia para a música. Da música ia para um jogo e acabava um bloco. E aí tinha um bloco inteiro com uma peça de teatro interpretada pelos personagens do programa e dali ia para o João Acaiabe contar uma história. O roteiro não tinha quase nada, tudo dependia dos atores. É o ineditismo e a manutenção que dá a credibilidade! Este frescor diário!

ESCONDERIJOS: A gente gostava até dos erros…

FERNANDO: É o máximo você ver ator se virar! Não vai virar DVD, mas tudo bem!

ESCONDERIJOS: E o mais maluco que “não virar DVD” deveria ser uma forma de chamar audiência, como “se você não assistir na hora, não vai ver mais, como em um teatro”…

FERNANDO: Hoje você não se importa com isso. Tudo muda uma vez que cada vez mais as pessoas fazem sua TV. Eu tenho um lado romântico-poético-bobo que deseja que um dia não existisse mais medição de audiência… Só vou manter um programa policial sanguinolento se eu amar esse programa. Por que não faz algo de mais qualidade? Porque menos gente vê… é isso que a gente ouve.

ESCONDERIJOS: Mas, agora, estamos acostumados a ver os sanguinolentos…

FERNANDO: Mas não tem qualidade, é só um número. Estamos sem referências.

ESCONDERIJOS: Você tem um sonho para dar vazão a todas as suas inquietações?

FERNANDO: Eu adoraria que tivéssemos canais produtores, abertura para produção, experimentalismo. Vamos errar, pessoal! Imagine uma estrutura de Rede Globo e o know-how da TV Cultura e produzir infantis! Mas eu tenho um grande sonho que é um longa do Cocoricó. Mesmo. Já foi duas vezes para o cinema, motivo de muito orgulho, mas eram programas feito para televisão levados ao cinema. Um outro sonho é fazer um programa baseado no CD O Gigante da Floresta, do Hélio Ziskind. Ele é um gênio.

Quer lembrar?
Manah Manah

E aqui uma das excelentes entrevistas que Júlio fez no TV Cocoricó. Aqui, com uma das principais autoras de livros infantis, Eva Furnari:

 

leia também: Hélio Ziskind, patrimônio das crianças

Arte e crianças: tem jeito certo?

EXCLUSIVO: A ÉPOCA DE OURO DOS INFANTIS DA TV CULTURA

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