Os 50 anos da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil

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Elisabeth Serra, secretária-geral da entidade, conversou com o nosso Blog sobre a situação diante da perda da sede própria da instituição em 2017 e uma incessante luta pela valorização do poder público ao tema: “A gente não desiste”

Por Anna Luiza Guimarães (jornalista carioca e especializando-se no curso de pós-graduação O Livro Para a Infância, d’A Casa Tombada/Facon, aceitou meu convite para colaborar com o blog)

Elizabeth Serra     Ao entrar na casa em que Elizabeth Serra mora há décadas, em lugar bucólico do Rio de Janeiro, sou conduzida por um senhor simpático até uma escadaria em direção à entrada. Mas não sem antes reparar nas dezenas (talvez centenas?) de caixas empilhadas na garagem. Logo imaginei que se tratavam de livros, o que foi confirmado por Beth mais tarde. “Não tínhamos para onde levar tudo que recebemos”, explicou a secretária-geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). A entidade é uma das mais importantes representações da produção e propagação da chamada “literatura infantojuvenil” no Brasil, nascida em 23 de maio de 1968, como braço do IBBY (International Board on Books for Young People), organização mundial que representa uma rede de associações que promovem ações para a qualidade do livro para crianças e jovens no mundo. Em plena comemoração de seu cinquentenário, a entidade e sua equipe vivem uma situação bastante difícil: desde junho de 2017, o grupo e os livros deixaram o edifício Capanema, no Centro do Rio de Janeiro, por conta de uma restauração. Desde então, a FNLIJ teve seu escritório dividido entre a casa de Beth (como é mais conhecida) e um conjugado alugado em Ipanema. O acervo de mais de 30 mil livros – o maior da América Latina – ficou no prédio em obras. E é assim que a Fundação comemora seus 50 anos: refém de uma enorme burocracia para conseguir um novo espaço, possivelmente a Casa da Leitura, em Laranjeiras. “Esse foi o lugar escolhido para a nossa nova sede. Mas a papelada parou em Brasília e agora, parece, que falta pouco para resolver”, torce ela, em entrevista ao blog Esconderijos do Tempo, no início de março. “Se a literatura fosse valorizada, a gente não estaria nessa situação.”

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A luta por esta valorização é a essência da Fundação que, divulgando as histórias produzidas para crianças e jovens no Brasil por vários cantos do mundo começou sua própria história em 1964. Em início de ditadura militar brasileira chega aos ouvidos de um grupo de mulheres interessadas em livros e infância a possibilidade de se criar uma entidade dedicada ao tema no Brasil. Isso porque, neste ano, o IBBY realizou um congresso em Madri, Espanha, e convidou todos os países latino-americanos e não queria abrir mão da presença do Brasil. Quem fez a ponte é um membro do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE), entidade extinta que fazia parte do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), órgão do Ministério da Educação). Uma destas mulheres era Laura Sandroni, que havia se formado em Administração, mas na época estava em casa com os filhos. Ela e um grupo de bibliotecárias e educadores realizaram várias reuniões até que, em 23 de maio de 1968, a FNLIJ nasceu oficialmente. Trata-se de uma organização de direito privado, com membros na diretoria que não trabalham na cadeia produtiva do livro, e editoras mantenedoras, além de possíveis parcerias com governos público ou outras entidades privadas. Por que fala-se tanto dela nesta área? Porque, como pode-se imaginar, a FNLIJ foi pioneira em determinadas ações no enfoque do incentivo à leitura no Brasil. De 1982 a 1985, por exemplo, a fundação coordenava o projeto Ciranda dos Livros, kits de obras que eram distribuídas nas escolas e que foram uma espécie de semente para outras ações de políticas públicas que se seguiram. Também é a Fundação que prepara o catálogo de livros brasileiros para serem expostos na Feira do Livro Infantil de Bolonha, na Itália, a feira mais importante do mundo no setor. Desde 1974, a entidade se tornou uma referência na discussão de qualidade do livro infantil brasileiro ao criar uma premiação anual que foi de um único livro – com O Rei de Quase-Tudo, um clássico do artista mineiro Eliardo França – e hoje é dividido em diversas categorias, além de distribuir uma lista de contemplados com o selo “Altamente Recomendável”. Por último, é também do grupo que saem as indicações a artistas brasileiros para o Prêmio Hans Christian Andersen, uma espécie de Nobel da Literatura Infantil no mundo, concedido pelo IBBY desde 1956 e que o Brasil já levou três vezes: Lygia Bojunga em 1982, Ana Maria Machado em 2000 e Roger Mello, em 2014.

A escritora Ana Maria Machado no Salão da FNLIJ de 2016
A escritora Ana Maria Machado no Salão da FNLIJ de 2016

Estas ações ganham peso físico na casa de Beth, que me mostra um canto na sua sala para onde levou tudo do escritório, além de um quarto em que estão organizadas algumas das publicações que recebe para fazer a seleção dos melhores livros do ano. A lista, inclusive, foi divulgada no último dia 10, confira aqui! E, apesar do momento delicado, o Salão da FNLIJ chega à sua 20a edição, entre os dias 27 de junho e 5 de julho, no Centro de Convenções SulAmerica, no Centro do Rio de Janeiro, aberto ao público, mais informações neste link.

A seguir, trechos de nossa conversa.

ESCONDERIJOS DO TEMPO: Beth, qual é a sua história na Fundação?

ELIZABETH SERRA: Eu fui para lá em 1987, convidada por Eliane Yunes. A minha história anterior era ligada à arte popular. Eu casei com 17 anos e fiz supletivo para concluir o segundo grau. Eu me formei em pedagogia só depois que meus primeiros filhos nasceram (Beth tem cinco filhos).

Mas o livro é uma coisa muito presente na minha vida, sempre foi. E eu fui a primeira ligada a educação à frente da Fundação. Todas as outras eram ligadas ao curso de letras.

A FNLIJ foi uma iniciativa de mulheres (Laura Sandroni, Ruth Vilella, Maria Luiza Barbosa de Oliveira) e, por todos esses anos, teve mulheres à frente. Como você vê o papel da mulher na literatura para a infância?

As mulheres são maioria nesse meio. Mas não é só na literatura infantil brasileira, pois o IBBY tem uma imensidão de mulheres também pelo mundo. Talvez porque seja ligada a uma atividade que, socialmente, caiba a mulher: as crianças. Enfim, talvez tivessem mais tempo para se dedicar a isso, pois no início se tratavam de trabalhos voluntários. Atualmente, não. Eu consegui instituir na Fundação uma profissionalização, todos com carteira assinada.

São 50 anos da FNLIJ. Como era aquele Brasil de leitores crianças e jovens no início?

O livro para a infância não tinha a menor importância. Como, em plena ditadura, se instala um projeto como esse, revolucionário, e ninguém dá atenção? (os censores não se ocupavam dos livros para crianças na ditadura militar instalada em 1964) Os livros de qualidade, levam, sim, as sementes para uma educação transformadora. Mas eles não olhavam para isso. E é aí que os artistas começam a produzir literatura como arte, sem preocupação com os fins pedagógicos ou de passar mensagem. Então aparecem livros como O Rei de Quase Tudo, de Eliardo França, Flicts, de Ziraldo, entre outras coisas. Em plena ditadura, eles conseguem driblar a censura, mas sem essa intenção. Dão voz aos sentimentos da população em um livro voltado para crianças. Então a gente começa a instalar essas bases. E isso se expande, vai acontecendo.

E, então, a Fundação nasce antes do que chamamos de “boom” da literatura para a infância, com o lançamento da Revista Recreio, lançada em 1969 pela Editora Abril. Qual foi o impacto da publicação?

Nessa época, a Ruth Rocha faz parte da fundação da Revista Recreio que começa a trazer histórias de Ziraldo, Ana Maria Machado, Joel Rufino dos Santos, Jorge Miguel entre outros. Os editores começam a perceber que a revista faz sucesso nas escolas e chamam os autores para fazer os livros. Década de 70, todo mundo sendo censurado, e eles conseguem furar sem essa intenção, repito. É uma questão mesmo de criação, de dar a voz a esse sentimento.

E agora, 50 anos depois, a FNLIJ teve um 2017 conturbado. Como foi a saída da fundação do edifício Capanema?

Nós fomos os últimos a sair do prédio, que entrou em obras de restauração. Então, no dia 23 de maio, aniversário da fundação, fomos avisados que teríamos que deixar o espaço até dia 31. A princípio, iríamos para o edifício do Teleporto, próximo à prefeitura, para onde foram os que ocupavam o edifício Capanema, mas chegando lá para visitar fui informada de que não ficaríamos lá. Estamos pleiteando uma nova sede desde então. E o lugar é a Casa da Leitura (sede da Biblioteca Nacional em Laranjeiras, Rio de Janeiro), que já era cogitada para nos ceder espaço, e podermos trabalhar juntos, há alguns anos. Nós fomos atrás de uma documentação que dizia isso, para então solicitar essa mudança. A burocracia é inacreditável. Já existe um parecer favorável. Mas tem uma lei de 2014 que diz que para ceder o uso de prédios próprios, você tem que comprovar ou uma emergência ou a singularidade. Não há dúvida nenhuma de que a Fundação tem uma singularidade, mas eu tive que bater o pé. Teve gente dizendo para mim “Não Beth. Pode vir gente aqui, pedir, e fazer o mesmo que vocês”. E, então, tivemos cartas do IBBY, da Academia Brasileira de Letras e, principalmente, carta dos votantes falando da nossa importância. E são emocionantes os textos. Mandaram testemunhos do que representa ser votante da Fundação.

Conseguimos, provisoriamente, um apartamento quitinete em Ipanema. Mas era para ter ficado três ou quatro meses nesse espaço, que estamos pagando. Hoje vivemos uma situação muito delicada, com uma equipe bem reduzida de apenas seis funcionários fixos e dois prestadores de serviços. Além disso, é uma situação irregular. Estamos sem alvará. Ainda bem que já reportamos tudo ao Ministério Público.

E aí a gente lembra das dificuldades, da falta de formação de professores, da falta de importância das bibliotecas, da falta de valor dada à cultura escrita. Você vê uma instituição como a nossa, que chega aos 50 anos nessa situação… é um reflexo disso. Se a literatura fosse valorizada, a gente não estaria nessa situação. Você teria um apoio maior do governo, dos empresários.

E como está, hoje, a situação financeira da Fundação?

A Fundação tem um quadro de mantenedores, que com a crise, diminuiu uns 40%. E os projetos, que sempre têm uma remuneração. O Salão do livro foi pensado para ser uma fonte de recursos também. E foi, até o 15º salão, pois tínhamos apoio. A Petrobrás patrocinou por muito tempo. Mas nos últimos três anos, o desafio têm sido não deixar de fazer. E, ao contrário do que acontece em grande parte das ONGs, nós não recebemos recursos financeiros do IBBY. Na verdade, as seções no mundo inteiro é que pagam uma mensalidade para eles. Então, é sempre muito difícil essa parte financeira.

E, hoje, quais são as principais atribuições da Fundação?

A espinha dorsal é a seleção anual, que reflete no prêmio. A partir disso, trabalhamos a formação de professores, fazemos o trabalho de criação de bibliotecas, realizamos o Salão do livro todos os anos, produzimos o catálogo de Bolonha, que tem a parceria da editora FTD para impressão. Como Ibby, nós temos também uma série de tarefas que envolvem a internacionalização do livro brasileiro. A Fundação está há 44 anos levando nossos livros para a Feira de Bolonha. Somos pioneiros na internacionalização do livro infantil, nas indicações ao prêmio Hans Christian Andersen. O Ministério das Relações Exteriores tem nos apoiado muito nos últimos anos. Fizemos catálogos ilustrados que serviu como base para a exposição de 2014 do Brasil em Bolonha (todos os anos, a feira escolhe um país para ser homenageado e o próprio país tem que organizar a exposição). Com apoio do Instituto C&A, que não está mais conosco, fizemos três viagens com 50 professores de três municípios para a Colômbia no projeto “Escola de leitores”. Esse reconhecimento institucional, principalmente por parte do Itamaraty, é uma fortaleza para a gente.

E como é a dinâmica que envolve a seleção dos livros feita pela Fundação e quais foram as mudanças que a lista sofreu nesses anos?

A lista começa mesmo a ter importância em 1998, quando o MEC chama a FNLIJ para montar uma coleção para as escolas. Aí a nossa lista passa a ter um peso muito grande. A partir disso, vi a necessidade de criar um termo de compromisso para os votantes com algumas exigências. Para ser votante não pode trabalhar em editora, nem ter parentes que trabalhem, não pode ser autor, entre outras coisas. O objetivo foi ter mais transparência. E, aos poucos, consegui mobilizar os editores para mandar os livros para os votantes, pois eram enviados só para a Fundação e nós fazíamos a distribuição.

Hoje somos 21 votantes, distribuídos em cerca de dez Estados. Temos reunião mensalmente entre os votantes aqui do Rio para discutirmos os livros, as opiniões. Os votantes são pessoas que já têm alguma relação com a Fundação ou indicadas. É preciso apresentar um currículo, tem que ter profundo conhecimento, não só de literatura infantil, mas de literatura. A lista nos dá uma oportunidade única de acompanhar a produção, de ter uma linha do tempo, para saber com o que estamos comparando.

Como você analisa a pesquisa brasileira voltada para a literatura infantil feita hoje e seu impacto na qualidade das produções?

Eu acho que não impacta ainda. Não é relevante. Ela tem servido mais, em certa medida, para fundamentar e embasar o trabalho de professores interessados. Mas não que atinja o mercado. A questão da literatura infantil na universidade não é valorizada.

Como é o trabalho da Fundação com a formação de profissionais? O que vocês consideram essencial hoje em um mediador de livros?

Hoje, mediador tem em tudo que é lugar, ou seja, tudo é uma mediação nas nossas relações. Deixou-se de nominar o professor como esse profissional que lhe compete, primordialmente, formar leitores e se distribuiu para a sociedade essa função. Eu sou francamente contra. Acho que isso enfraquece a função do professor como leitor, que se perdeu há muito tempo. O professor tem que ser o conhecedor e o leitor. Sem isso, não adianta.

E qual é a posição da FNLIJ a respeito dos contadores de história como incentivadores de leitura?

Os primeiros quatro anos do PROLER (Programa Nacional de Incentivo à Leitura) foram muito marcados pela contação de histórias. Quando eu assumo o PROLER, em 1996, eu e a coordenação toda que chegou comigo levamos um susto. Era tudo contação de história! E uma coisa que a gente avaliava, e felizmente todos concordavam, é que você ter a atividade de contação de história na escola entre outras é uma coisa. Já dizer que cotnador de histórias é formador de leitor, é outra. Não é. Não existe essa substituição. Em alguns casos, ele é mais atrativo, os professores delegam a formação de leitor para o contador. Na minha opinião, você tirou do professor a competência que seria dele para delegar ao contador. No entanto, a gente com isso, mais uma vez, enfraquece a escola e a função do professor como formador de leitor. É claro que um tio, um avô… mas isso virou um meio de vida, uma profissão, que não necessariamente é o professor. Você vai ter as exceções, é claro, mas eu nunca falo das exceções, estou falando da coisa geral. Era uma coisa mesmo impressionante. Chegamos a ver pessoas para fazer curso dizendo que não era mesmo leitor, mas queria “só” aprender a contar histórias. A sociedade aceita isso. E há professores, porque facilita a vida, que delegam a literatura, já que tem contador de histórias. Então batemos muito de frente com isso para fortalecer a questão da biblioteca, da cultura escrita. Entre 1996 e 1997, a gente procura instituir um fortalecimento da cultura escrita, sem desprezar que a cultura oral tem, claro, um papel na nossa sociedade, mas é a cultura escrita que dá a autonomia à criança.

Em todos esses anos, avançamos muito na qualidade da produção brasileira de livros infantis. Temos autores premiados e consagrados fora do país. Porém, nos parece, a formação de leitores não avançou da mesma forma, uma vez que ainda temos tanta dificuldade do tal “Brasil de leitores”. Como você analisa esse cenário?

Primeiro, o Brasil não valoriza a cultura escrita, para a maioria. Por tabela, as famílias não têm livros em casa, não podem comprar livros. A formação de professores é super frágil. A constatação, que não é de agora, já estamos há 30 anos falando isso, de que você não tem o sistema de acesso ao livro. Você não tem um sistema de bibliotecas pensado de uma forma importante para a população brasileira. Nunca teve. Uma vez eu ouvi alguém falando que tinha que ter o Ministério das Bibliotecas, uma coisa assim, porque a biblioteca é, no mundo inteiro, o espaço onde você tem a possiblidade de democratizar o acesso, independentemente da tecnologia.

É um conjunto de ações e valores. A formação de professor é determinante. Mas a gente não está dizendo isso hoje, estamos falando isso há um tempão, com as pesquisas que comprovam que o professor tem uma formação deficiente. Porque a cultura escrita não está presente nessa escola para a maioria. Ela está presente para a elite, mas não está presente na formação de professores para a maioria das crianças brasileiras. Você vai ter exceções, de pessoas que metem a cara, que vão atrás e rompem isso. Mas não temos ainda um projeto político brasileiro para a cultura escrita. Reconhecemos que teve avanços. Porém, não foram suficientes para uma revolução, no sentido de dar um gás que seja permanente para mudar o rumo dessa história. Algumas oportunidades foram perdidas, mas a gente acredita. A gente não desiste.

A FNLIJ sempre teve um discurso contra a literatura como leitura complementar nas escolas. Por onde você acha que caminha a literatura nas escolas hoje?

Eu acho até que houve um retrocesso, de certa maneira. Há 25 anos, um dos problemas era não ter livros, nos anos 90, no governo Fernando Henrique, isso mudou. Passamos mesmo a ter livros e tem até hoje. Inclusive, quando ele endossa isso e amplia com o PNBE (Plano Nacional Biblioteca na Escola), por tabela alguns estados e municípios também vão ter os seus projetos de distribuição de livros. Mas em 2015, quando se suspendeu o PNBE (nota do blog: nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, mesmo com falhas apresentadas em levamentamentos e pesquisas, os programas de distribuição de livros nas esferas federal, estadual e municipal pelo país se aperfeiçoaram, expandiram e alteraram e ampliaram o mercado brasileiro), nós fizemos questão de fazer uma carta se posicionando do que era a perda para a educação dessa conquista e até hoje não está resolvido. Dramaticamente, incorporou à compra do livro didático. (Em 2018, o governo federal do presidente Michel Temer anunciou o Programa Nacional do Livro e do Material Didático e incluiu o termo “Literário” – PNLD Literário – para compras de livros de literatura para as escolas e bibliotecas, mas com diversas polêmicas nas regras que restringem tipos de livros por conta da materialidade gráfica). Não ficou um programa que trata só da questão da literatura.

O que deseja para os próximos anos da FNLIJ?

É manter o nosso trabalho, tratando a seleção, que se desenvolve para formação e as demais ações . O arquivo da Fundação é a memória dessa história. Hoje, gostaríamos muito de ter todos os arquivos e documentos digitalizados para consulta. Isso é um centro de referência, que tinha que estar disponível, não só na Biblioteca, que também está muito aquém. A função dela seria receber pesquisador, mas não temos equipe para isso. Temos um patrimônio indiscutível, que precisa ser cuidado. Quem sabe, com a ida para a Casa da Leitura, a gente consiga fazer algo que permita que os livros, os documentos históricos, fiquem disponíveis para pesquisa. O sonho também seria ter uma escola de formação para professores e de atualização. Ou seja, o que a gente presta de serviço, nós mesmos oferecermos. E, quem sabe, fazer novamente um congresso aqui no Brasil (Em 1974, aconteceu aqui no Brasil o 14º Congresso do IBBY). Talvez não para mim, mas para quem continue.

 

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