Folclore de Chuteiras

1236

A Copa passou, o Brasil tem a derrota na história do campeonato, mas o futebol… ah, o futebol continua. Muitos livros sobre o tema foram lançados este ano e estou adorando falar deste aqui DEPOIS da Copa no Brasil. Chama-se Folclore de Chuteiras, Editora Peirópolis, escrito por Alexandre de Castro Gomes e ilustrado por Visca. O momento de minha leitura ficou mais que oportuno porque ler as páginas desta obra é recuperar o amor pelo esporte, pelas lembranças e pelo Brasil. Rs!
O cenário é o futebol, mas o enredo é surpreendente. Os times desta história são inusitados: de um lado, a Seleção Brasileira de Monstros de Futebol, coordenados pelo técnico José Lobato que tem estrelas como Mapinguari no gol, Mula Sem Cabeça na lateral direita, Cabra-Cabriola e Capelobo na zaga e Curupira na lateral esquerda; do outro lado, o Combinado Mundial de Craques Sobrenaturais (ou Time Resto do Mundo), sob a organização de Boris Shelley Stoker, e que vem Múmia (do Egito), Gárgula (França), Vampiro (Romênia), Pé Grande (Estados Unidos), Ogro (Inglaterra), entre outros. E a partida, como podem imaginar, não está fácil para ninguém!

FOLCLOREDENTRO

O livro é uma diversão do começo ao fim e preza pelos detalhes de quem ama futebol. Para começar, ele é todo contado por falas:  pelo narrador esportivo, pelos repórteres que estão em campo, pelos técnicos e jogadores que dão entrevistas antes, no intervalo e depois do jogo, assim como acontece nos campeonatos. Mas, costurando tudo isso, uma linha de informações culturais que alinhava os detalhes sobre cada ser imaginário, mantendo as características dos personagens brasileiros e estrangeiros em todos os lances.

 

Primeiro Tempo

– E foi dado início à partida. Hyde passa a bola para Pé Grande, que faz sinal de que vai lançar para Duende, mas muda de ideia e faz o passe para Vampiro. O Homem-Morcego corre pela ponta, procurando o Duende na entrada da grande área, mas é desarmado pela Mula Sem Cabeça, que o atropela e galopa pela beirada do campo, deixando os adversários para trás. A Mula atravessa a linha intermediária e toca a bola para Negrinho, que a atrasa para Lobisomem.

 

E não muito tempo depois acontece o primeiro gol do Brasil! E é do Saci! E a partida, claro, emocionante continua. Com todas as suas peculiaridades…

 

– Mas o que é isso? O Lobisomem parou no gramado e começou a uivar para a Lua! Diga aí, Manteiga, o que está acontecendo?

– Zé Lobato chamou o Papa-Figo e parece que vai pedir substituição. O Lobisomem só foi escalado porque o serviço de metereologia garantiu uma noite nublada, mas parece que a lua cheia achou uma brecha entre as nuvens e hipnotizou o coitado.

 

Quantos desafios para esta comissão técnica! Principalmente depois de tomar gol do adversário! O leitor vai à loucuuuuura!

 

De agora em diante, resta imaginar a partida ou correr para ter os livros em mãos. Posso adiantar que o final nos consola e nos anima ser brasileiros. Mas, mais do que isso: oferece argumento para libertar o imaginário, conhecer mais sobre nossa cultura e também sobre as fantasias criadas por tantos povos do mundo, repassadas há séculos e séculos. Fichas no final dão mais detalhes de cada personagem e, de quebra, uma apresentação inusitada dos autores. Um salto para querer saber mais.

FOLCLORECAPA

Folclore de Chuteiras (Editora Peirópolis)

textos de Alexandre de Castro Gomes

ilustrações Visca

2014

 

E se você gostou deste… pode ser que goste também deste: Gregos, Troianos, Brasileiros e Italianos Juntos.

 

Deixe uma resposta