A Fantástica Fábrica de Chocolate

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FABRICACHOCOLATEILUSTRANem vou me preocupar em fazer média: conheci a mais incrível história de Roald Dahl pela versão do filme, em que Gene Wilder vivia o misterioso e adorável Willy Wonka. Só adulta, bem antes no entanto de trabalhar na revista Crescer, é que tive meu primeiro livro na estante de casa.

FABRICACHOCOLATECAPAANTIGA

A edição era esta, com ilustrações de Cláudia Scatamacchia.

Bem, o livro é simplesmente necessário a qualquer infância. Mesmo com as fortes imagens que o cinema me proporcionou, o tipo de escrita de Roald Dahl é incomparável, insubtituível e, algumas vezes, inacreditável. Adoro o jeito que este inglês conversa com a gente. Nos conta a história como se nos sussurrasse um segredo. Já apostando que não iremos acreditar mas que, no final, seremos convencidos.

A história começa nos apresentando o menino Charlie Bucket, que mora em uma casa pequenina e pobre com os pais e os avós paternos e maternos. Honesto e querido pela família, Charlie estava próximo da Fábrica Wonka, a mais incrível fábrica de chocolates do mundo. Duas vezes ao dia o menino passava em frente ao lugar e amava o cheiro delicioso que saía de lá. O Vovô José (ou Joe, como no filme) lhe contava muitas histórias incríveis sobre o Willy Wonka, dono da fábrica.

Um dia, Wonka surpreendeu a todos: anunciou em um jornal que espalhara entre seus chocolates cinco cupons dourados que dariam acesso a uma visita especial por dentro das instalações. Os cupons estavam escondidos e crianças de qualquer lugar do mundo poderiam achá-lo! Nós acompanhamos, claro, o sonho e a angústia de Charlie em achar um. O momento chega, parecendo um milagre, um dia antes da grande visita.

Bem, Willy Wonka faz jus à fama e recebe as crianças do jeito mais maluco possível. Todas as cinco estavam acompanhadas por um responsável adulto e cada uma delas de uma personalidade peculiar e, sim, bem reconhecível. A fábrica por dentro se revela ainda mais interessante do que qualquer um poderia imaginar, mas trazia uma surpresa que ninguém pensaria: os ajudantes de Wonka são anões, mas não anões quaisquer. São chamados de umpa-lumpas, “importados diretamente de Lumpalópolis”.

É com o menino Augusto Glupe que se inicia a primeira grande maluquice do passeio. Como todo lugar mágico, embora fascinante, é repleto de regras. Uma delas é jamais colocar um dedo sequer no chocolate produzido lá dentro. Mas o menino, um autêntico guloso, faz mais do que isso: se ajoelhou à margem de um rio de caldo e encheu a boca o mais rápido que pôde.

 

– Não, por favor, Augusto, por favor! Não faça isso. Meu chocolate não pode ser tocado por mãos humanas!

 

Grita o Sr. Wonka e daí se inicia uma espécie de tragédia: Augusto se empolga de tal forma na delícia que afunda no chocolate. E assim os pais e todos os visitantes assistem ao menino sendo sugado para perto da boca de um dos imensos canos do rio e é sugado completamente. Como era bem barrigudo, o menino entala no cano, onde se forma uma pressão enorme até que ele seja lançado para o alto. A mãe de Augusto fica desesperada e o Sr. Wonka pede calma.

 

– Como é possível que ele consiga se sair bem! – vociferou a Sra Glupe. – Ele vai se transformar em musse em menos de cinco segundos!

– Impossível! – exclamou o Sr. Wonka. – Impensável! Inconcebível! Absurdo! Ele jamsi será transformado em musse!

– E posso saber por quê? – gritou a Sra Glupe/

– Porque aquele cano não passa nem perto das musses! O cano onde Augusto entrou vai dar direto na sala onde eu faço o mais delicioso tipo de cobertura de chocolate sabor morango…

 

Eu adoro esse humor negro do Roadl Dahl – que pode ser ainda mais ácido em outros livros. Um humor que faz a gente rir por dentro, ainda mais quando criança, uma vez que é possível ver nos personagens comportamentos bem conhecidos como gula, teimosia, mimo em excesso, birra, fanatismo por TV…

O primeiro filme não revela detalhes que o livro traz, como os destinos finais das histórias das crianças após a visita, o que é retratado na versão de Tim Burton. E é mais uma maneira de entender porque este livro é um indiscutível clássico, obrigatório em qualquer versão.

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Hoje tenho a edição em que meu amado Quentin Blake assina as ilustrações. Adoro o traço dele, fazendo todos eles parecerem sempre meio malucos e saltitantes. Ele hoje ilustra todos os livros do Roadl Dahl, além de ilustrar de outros escritores e ser autor de dezenas. Existe até uma versão reduzida da história, mas em incríveis efeitos pop-up!

 

A Fantástica Fábrica de Chocolate (Ed. Martins Fontes)

textos de Roald Dahl

ilustrações de Quentin Blake

2011 (primeira versão original lançada em 1964)

palpite: para crianças de 6 a 100 anos

 

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