Rimas de Lá e de Cá

1953

Eram dois Josés.

Um do Brasil, outro de Portugal.

Emails trocados, língua portuguesa pra cá. Língua portuguesa pra lá. Parecia dança, um compasso, uma coreografia. Mas virou poesia. Assim nasceu Rimas de Lá e de Cá (Ed. Peirópolis), escrito a quatro mãos pelo brasileiro José Santos e o português José Jorge Letria. Eles conversaram, conversaram, conversaram tanto em rimas por dois meses e virtualmente que nos deram uma espécie de repente impresso, pronto para a gente ler em voz alta com a mesma emoção de uma criação espontânea!

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O lirismo é uma ponte entre as duas culturas, tecidas no nosso rico e encantador vocabulário. Dá vontade de não parar nunca de ler, como se tivéssemos assistindo a deliciosas descobertas. De um lado, José Santos:

 

Dizem que o brasileiro

quando nasce, no hospital,

traz o coração batendo

de um jeito bem musical.

 

O ritmo está no sangue

e a melodia, no ar.

Tudo vira instrumento:

o prato, a chave, o colar.

 

Se um coração faz tum-tum

no compasso do baião,

outros palpitam num frevo,

chorinho ou samba-canção.

 

Você que é afinado

e adora cantar também,

conte um pouquinho das festas

que a sua cidade tem.

 

De outro, José Jorge Letria:

 

Tem Portugal a tradição

das festas e romarias,

que podem ser coisa breve

ou durar alguns dias.

 

Lisboa não foge à regra

dos festejos seculares

e celebra sempre em junho

os três Santos Populares.

 

Começa com Santo Antônio,

mais São Paulo e São João,

que também animam o Porto com bailarico e devoção.

 

E agora, meu amigo,

já que de festas falamos,

em matéria de artesanato

como é que por aí andamos?

 

E o desfile de costumes, semelhanças e diferenças continuam, tudo alinhavado com as precisas ilustrações de Yara Kono, brasileira que hoje vive em Portugal que já coleciona prêmios.

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As figuras são de fácil identificação das crianças, mas sempre com liberdade nas proporções e cores, mexendo com a criatividade do leitor. Nós, brasileiros, nos vemos cá no livro e na nossa terra. E com a delicadeza da obra, podemos sentir o que pulsa no lado de lá. É Lá e Cá com sopros e afetos para todos os lados.

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Rimas de Lá e de Cá (Ed. Peirópolis)

textos de José Jorge Letria e José Santos

ilutrações de Yara Kono

2014

1 COMENTÁRIO

  1. Conheci o poeta José Santos numa dinâmica de escrita de poesias. Ele nos fez dizer palavra interligadas a um determinado assunto e ao trabalhar com elas construímos coletivamente um poema que agradou a todos os presentes.
    Como somos um grupo que se dedica a poesia dramatizada reproduzimos sua técnica coletiva e a poesia que criamos a experiência de escrever a oito mãos e/ou cabeças e nos deleitamos nos pequenos versos abaixo:
    “Sua profissão utópica – sua vida surreal,
    Procurador de princípios – mediador do amor
    Ser politizador, sensato, conspirador cultural.
    Que deixa embriagados de sabedoria
    “Os colibris ávidos de conhecimento.”
    Agradecemos a vivencia que o escritor nos proporcionou e aguardamos um próximo escontro.
    Maria Lourdes dos Reis
    Coordenadora do Grupo Juntando Isso da Poesia

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