O Voo das Borboletas

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O tamanho impressiona. Mas não é só isso. A capa dura suporta uma imagem forte. A menina está triste e o tom se dá nas luzes da ilustração. Duas borboletas azuis parecem voar de verdade.

É tudo obra de Benjamin Lacombe, um dos ilustradores da nova geração da França que vem ganhando o mundo. Abra o livro e saiba por que.

A primeira dupla de O Voo das Borboletas (Ed. Positivo) é o próximo impacto. De um lado, as sombras de duas pessoas. Do outro, uma mulher ouve a conversa. Naoko, uma menina com seus 14 anos recém-completados, ouve do pai que será obrigada a sair de casa e enfrentar a cidade grande. A rigidez da cultura japonesa de tempos atrás se revela: ela, que sempre vivera em uma pequena aldeia, deve passar uma temporada na cidade para ser transformada “numa mulher da sociedade”. Era só mais uma etapa de um amadurecimento difícil após a morte da sua mãe.

Naoko não queria aprender a servir chá, agitar os leques “com rapidez e graça”.

 O que ela gostava de fazer era ler, escrever poemas e haicais, rir quando estava feliz e chorar quando se sentia infeliz. Mas tudo isso era proibido para um menina decente.

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É quando ela tem uma ideia: vai se vestir como garoto e estudar literatura! E implora à sua fiel criada que a deixe sozinha na cidade. A menina, então, se aventura pela cidade até que esbarra em um belo jovem. É Kamo, um estudante. Logo se tornam amigos. Divindindo confidências e sonhos, os dois se apaixonam, mas Kamo não sabe que Naoko é uma garota.

Certa manhã, uma virada inesperada: após receber uma carta da criada, ela volta para a casa e é surpreendida com a notícia de que está prometida em casamento a um homem importante. Do outro lado, Kamo descobre a partida de Naoko e, com uma pista deixada por ela, que se trata de uma garota. Parte em busca de reencontrá-la.

A angústia da história ganha um vigor das grandes histórias de amor, com as referências estéticas da cultura japonesa, o traço preciso, com cores e texturas que nos dão a impressão de que os desenhos podem desgrudar do papel. Como as borboletas que dão seu voo por todo o livro, nos revelando que, no amor, muitas vezes a perda é um inevitável jogo de resistência.

 

O Voo das Borboletas (Editora Positivo)

Tradução Ana Caperuto

Textos e ilustrações de Benjamin Lacombe

2014

 

PS – tenho, porém, duas observações à edição. Primeiro, faz muita falta a biografia do autor e do tradutor, muita mesmo. E, segundo, o livro tem notas de rodapé para explicar termos japoneses e, por mais que eu entenda sua utilidade, eu ainda tenho incômodo na leitura.

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