O bicho alfabeto é sempre o mesmo, mudam os modos de usá-lo. O de Paulo Leminski é brincar com as palavras, com os sentidos e formas das palavras. Como se acendesse as luzes delas.
Este lindo período faz parte da apresentação escrita por Arnaldo Antunes para o livro O Bicho Alfabeto, que a Companhia das Letras acaba de lançar com poemas do curitibano Paulo Leminski, um dos mais importantes poetas do Brasil. Há maravilhas como:
Feliz a lesma de maio
um dia de chuva
como presente de aniversário
Noite sem sono
o cachorro late
um sonho sem dono
Os poemas são brincadeira, informação e surpresa. Delícia de falar em voz alta, brincar de memorizar, entender até onde vai um poema. Uma bela maneira de iniciar com crianças as possibilidades que Leminski criou e marcou a poesia brasileira, até sua morte, em 1989, aos 44 anos de idade. Foram pinçados do livro Toda Poesia, uma reunião de toda a obra poética do artista e que a editora lançou no passado e virou um fenômeno.
São acompanhados dos desenhos superreconhecido de Ziraldo, que varia intensidade e cores conforme as palavras causam. Pode ser cor, pode ser traço, pode ser de página cheia, pode ter um pouco de cada: quem “manda” é o poeta. Afinal, de Menino Maluquinho, Ziraldo entende bem.
O Bicho Alfabeto (Ed. Companhia das Letrinhas)
textos de Paulo Leminski
Ilustrações de Ziraldo
2014
palpite: para crianças de 6 a 100 anos (embora as menores vão amar os não significados que a obra mostra)