MENDELÉVIO E TELÚRIA AGORA PARA OS BEM PEQUENOS

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Chargista mineiro que habita quase sozinho as prateleiras de livrarias dedicadas a histórias em quadrinhos para os pequenos, lança agora coleção para bebês

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Pode dois personagens de história em quadrinhos nascerem em uma aula de química? Pode. Assim aconteceu com os adoráveis – e um tanto briguentos – irmãos Mendelévio e Telúria, nomes inspirados em elementos químicos (rsrsrs, não me canso de achar isso engraçado!), fruto da imaginação de João Marcos, um chargista que desde 2009 “invadiu” as prateleiras das livrarias com O Mundo Mendelévio e o Planeta Telúria e, dois anos depois, Histórias Tão Pequenas de Nós Dois, ambos lançados pela editora Abacatte.

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Nas histórias, o cotidiano de dois irmãos que, embora tenham diferenças e desavenças, continuam unidos. Tudo permeado com muito humor e um traço próprio e marcante, para cair em cheio no gosto dos pequenos. “A obra de João Marcos não para na originalidade dos textos, dos roteiros. Vai, também, para o grafismo, para o desenho, totalmente personalizado. Tanto que, no primeiro momento, o leitor precisa decodificar movimentos e expressões. Pois João Marcos desenha, antes de tudo, para ele próprio. Põe tudo de si nos desenhos e nas histórias. Depois divide a obra com o público atento e já seduzido”, escreveu Mauricio de Sousa na contracapa do primeiro livro. João é um dos roteiristas dos estúdios, sonho realizado de um ávido leitor de quadrinhos desde a infância.

Agora é que ele acaba de lançar o primeiro livro da coleção Meu Primeiro Quadrinho, lançado por A Semente, selo da Abacatte. Em Amarra Meu Cadarço?, Mendelévio e Telúria estão bem pequenininhos com um dilema de coordenação muito profundo: um dos cadarços está solto.

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Telúria tem uma ideia: pedir ajuda para os brinquedos. É o dinossauro o primeiro a dizer não. “Os meus braços são curtos, não consigo amarrar”. O segundo a aparecer é o palhaço que acha a palavra “cadarço” tão engraçada que não para de rir. O brinquedo seguinte é a girafa que, claro, está muito longe dos pés do menino para ajudar. E por aí vai, em um desfile de formas, vocabulários e sentidos, cheio de delicadeza e, o mais bacana: iniciando o leitor para uma linguagem tão rica e dinâmica, quanto poderosa em si mesmo.

Por muito tempo – e há quem carregue isso no discurso ainda – os quadrinhos foram encarados como uma linguagem ou leitura “menor”. A ponto de ser abolido nas escolas, um grande absurdo. E sabe aquela história de “ah, o quadrinho pode ser um ótimo estímulo à leitura”? Também acho uma tremenda bobagem. É claro que a fusão da imagem e da escrita contando a história podem ser um facilitador. Mas também muita há complexidade nos quadrinhos, se assim decidirmos avaliar como “digno” de pertencer ao “mundo letrado”. Imagens em sequências trabalham a passagem de tempo (nada mais abstrato para as crianças); as onomatopéias garantem expressões novas; humor e criatividade estimulam o pensamento crítico, abrem portas, permitem as leituras nas entrelinhas, ou entretraços. Só nos resta aproveitar este belíssimo jeito de contar e ler histórias o quanto antes.

Obs: Não poderia deixar de falar que João Marcos lançou outros volumes com os personagens mais famosos e ainda tem uma parceria superinteressante com o escritor Fábio Sombra em Sete Histórias de Pescaria de Seu Vivinho e A Pescaria Magnética de Seu Vivinho, também pela Abacatte, este lançado em 2013. Vejam aqui que delícia!

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É CORDEL COM QUADRINHOS! E os enredos mexem com o nosso imaginário do que são as tais “história de pescador”, mas por caminhos surpreendentes e divertidíssimos. Aquela sensação boa de ter uma lembrança do que você ainda não tinha lido.

 

Arte e literatura quadro a quadro!

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Amarra Meu Cadarço? (Ed. Abacatte/selo A Semente)
quadrinhos de João Marcos
2014

 

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