Entregue-se a Divertida Mente, novo da Pixar

1465

 

Medo, Nojinho, Alegria, Raiva e Tristeza (no chão).
Medo, Nojinho, Alegria, Raiva e Tristeza (no chão).

 

Se eu contasse a você a estrutura do novo filme da Pixar, assim, em uma espécie de mapa mental de roteiro, talvez você se assustasse com as alternâncias de simplicidade e complexidade. O filme parte da premissa “Você já olhou para alguém e se perguntou o que se passa na mente dessa pessoa?”, e a resposta seria algo como #quemnunca???.

Pois bem, Divertida Mente, nova animação da Disney/Pixar que estreia em 18 de junho, nos apresenta a história de Riley, uma menina de 11 anos, cuja vida podemos acompanhar desde o nascimento. O diferente, no entanto, é a perspectiva: conhecemos Riley por dentro de sua mente, onde temos o prazer de conhecer cinco “criaturas” até então bastante abstratas, mas que a animação pôde concretizar. Elas são As Emoções: Alegria, cuja a missão é garantir que Riley esteja sempre sempre sempre e sempre feliz; Medo que zela pela segurança da menina desde os primeiros passos; Raiva que libera toda aquela energia quando julga necessário; Nojinho que, segundo o filme “evita que Riley seja envenenada com itens como, por exemplo, brócolis” e, por último, Tristeza, uma personagem tão adorável quanto frágil e sobre a qual, por muitos minutos do filme, não sabemos muito como lidar.

Desde o início, há cenas de provocar nó na garganta, principalmente para quem tem filhos ou convive com alguma criança. No melhor estilo UP e Toy Story, as cenas ora emocionantes, ora hilárias, desenrolam-se na tela cheias de delicadeza e fantasia, mas com um toque de realidade que vai fazer o espectador se identificar imediatamente. Tudo caminha bem até que a família – pai, mãe e Riley – precisam se mudar de Minnesotta para San Francisco, assustadoramente diferente. As Emoções imediatamente reagem a esta profunda fase de transição. A saudade dos amigos, o incômodo com o atraso na entrega da mudança e outros contratempos trazidos pelo “novo” provocam sentimentos novos na menina e aí mora a beleza do filme: o conflito é só pretexto para mergulharmos nas emoções e reações de Riley, e refletirmos sobre as emoções e as reações de todos nós. O enredo se passa, então, em dois mundos: o primeiro bastante concreto para nós, com a adaptação da família à nova vida; o segundo, bastante abstrato, visto pela mente de Riley e sob metáforas belíssimas sobre a importância e construção das lembranças.

DIVERTIDAMENTECHORA

Na trama, Alegria é obcecada por sua dedicação em manter Riley alegre. Embora doce e cuidadosa, ela lidera a mente da menina e de certa forma despreza as outras emoções. Tristeza é alguém que Alegria tenta ao máximo dominar, aproveitando-se da culpa que a pequena personagem azul sente, sendo sempre indesejada, atrapalhando os planos de Alegria. A grande virada é quando as duas vão inadvertidamente para as profundezas da mente de Riley, que ambas nunca haviam visitado: um lugar onde memórias são preservadas ou descartadas conforme Riley cresce. É lá que passeiam por lugares como Memória de Longo Prazo, Terra da Imaginação, Pensamento Abstrato e Produções de Sonhos, enquanto Medo, Raiva e Nojinho assumem o controle (ou descontrole) de Riley.

Alegria tenta desesperadamente voltar com Tristeza ao comando, mas o caminho é árduo e o tempo é curto: as atitudes de Riley mudam a menina e a fazem se desconectar de quase tudo que era até então importante. Enquanto isso, assistimos a uma explosão de criatividade que nos faz esquecer onde sequer estamos sentados (inclusive porque não é só a mente de Riley que nos aparece “por dentro”: outros personagens enriquecem ainda mais a história). Há passagens inesquecíveis, daquelas de guardar bem no nosso Esconderijo do Tempo. O que as crianças vão achar disso tudo? Está aí algo que vou adorar descobrir: se entregarão ao nonsense de cores e formas ou serão capazes de se aprofundar nas questões nada simples abordadas? Ou os dois? Isso realmente importa agora? Que todas tenham a chance de tentar.

Dirigido por Pete Docter, de Monstros S.A. e UP, Divertida Mente é daqueles filmes que nos enganam: você se envolve com os personagens e com a aventura e, quando menos percebe, mergulhou em uma espécie de terapia. O final é um baque. Um baque daqueles que a gente precisa sentir para entender enquanto há tempo de cuidar de uma infância que, ao contrário do que a gente pensa, precisa viver todas as emoções, o tempo todo. A Alegria que me desculpe.

O trailer:

1 COMENTÁRIO

Deixe uma resposta