Dia das Crianças: 19 fragmentos inesquecíveis em palavras, imagens e mais

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Acho que se alguém pudesse hoje fazer um livro ilustrado dos meus pensamentos, estaria dividido em trechos que elevam a infância, como os próprios livros ilustrados, poemas sobre o tema, canções, cenas de filme. Aqui tentei resgatar parte deles para sugerir uma espécie de viagem nestes tempos que lembramos do que é ser criança.

 

1.INFANCIA1-CHARLIEQUENTIN

A Fantástica Fábrica de Chocolate, ilustração de Quentin Blake para a história de Roadl Dahl (ed. Martins Fontes)

 

2. “Todas as crianças crescem – menos uma. E bem cedo elas ficam sabendo que vão crescer. O jeito de Wendy ficar sabendo foi assim. Um dia, quando ela tinha dois anos, estava brincando no jardim, pegou mais uma flor e correu com ela junto da mãe. Imagino que ela devia estar uma gracinha, porque a senhora Darling pôs a mão no coração e exclamou:

– Ah! Por que é que você não pode ficar assim para sempre?

Foi só isso que se passou entre as duas sobre esse assunto. Mas daí para a frente, Wendy ficou sabendo que tinha que crescer. Depois dos dois anos, você sempre fica sabendo. Dois anos é o começo do fim.”, trecho de Peter Pan, de James M. Barrie (da tradução Ana Maria Machado, Ed. Salamandra)

 

3.INFANCIA2ONDASUZY

do livro Onda, de Suzy Lee (ed. Cosac Naify)

 

4. Duas velhinhas muito bonitas,


Mariana e Marina,


estão sentadas na varanda:


Marina e Mariana.

 

Elas usam batas de fitas,


Mariana e Marina,


e penteados de tranças:


Marina e Mariana.

 

Tomam chocolate, as velhinhas,


Mariana e Marina,


em xícaras de porcelana:


Marina e Mariana.

 

Uma diz:”Como a tarde é linda,
não é, Marina?”


A outra diz: “Como as ondas dançam,
não é Mariana?”

 

“Ontem, eu era pequenina”,
diz Marina.


Ontem, nós éramos crianças”,
diz Mariana.

 

E levam à boca as xicrinhas,


Mariana e Marina,


as xicrinhas de porcelana:

Marina e Mariana.

 

Tomam chocolate, as velhinhas,


Mariana e Marina.

E falam de suas lembranças,


Marina e Mariana.

Poema As Duas Velhinhas, parte do livro Ou Isto ou Aquilo, de Cecília Meireles (Ed. Global)

 

5.MALVINADENTRO

 

Malvina, de André Neves (ed. DCL)

 

 

6.
Make ‘Em Laugh, cena de Cantando na Chuva com Donald O’Connor, 1952

 

7. “Esta história só serve para criança que simpatiza com coelho. Foi escrita a pedido-ordem de Paulo, quando ele era menor e ainda não tinha descoberto simpatias mais fortes. O mistério do coelho pensante é também minha discreta homenagem a dois coelhos que pertenceram a Pedro e Paulo. meus filhos. Coelhos aqueles que nos deram muita dor de cabeça e muita surpresa de encantamento. Como a história foi escrita para exclusivo uso doméstico, deixei todas as entrelinhas para as explicações orais. Peço desculpas a pais e mães, tios e tias, e avós, pela contribuição forçada que serão obrigados a dar. Mas pelo menos posso garantir, por experiência própria, que a parte oral desta história é o melhor dela. Conversar sobre coelho é muito bom. Aliás, esse “mistério” é mais uma conversa íntima do que uma história. Daí ser muito mais extensa que o seu aparente número de páginas. Na verdade só acaba quando a criança descobre outros mistérios.”, Clarice Lispector, abertura de O Mistério do Coelho Pensante, 1967/2013, Editora Rocco. É o primeiro livro para crianças de Clarice, premiado no ano seguinte como o melhor do ano

8.INESDENTRO

“Quando eles se conheceram,

eu andava escondida no meio de outras coisas.

Curva de brisa, alga vermelha, briga de passarinho.

Eu ainda não era uma vez”, abertura de Inês, livro de Roger Mello e Mariana Massarani (ed. Cia das Letrinhas)

9. Quando eu era criança, um grande búfalo do rio vivia num terreno baldio no fim da nossa rua, aquele que ninguém cortava a grama. Ele ficava a maior parte do tempo dormindo e ignorava qualquer um que passasse, a não ser que nós resolvêssemos parar e pedir conselhos. Aí ele se levantava bem devagar, erguia a pata esquerda e apontava exatamente na direção certa. Mas ele nunca dizia para o que estava apontando, ou até onde tínhamos de ir, ou o que devíamos fazer ao chegar lá. Na verdade, ele nunca dizia nada, pois os búfalos do rio são assim: eles odeiam conversar.

Para muitos de nós, isso era frustrante. Quando alguém pensava em “consultar um búfalo”, nosso problema costumava ser urgente e requeria solução imediata. A gente acabou parando de visitá-lo, e acho que pouco tempo depois ele foi embora: ficamos só com a grama alta.

É uma vergonha, sabe, porque sempre que seguíamos a pata pontura dele nos supreendíamos, aliviados e satisfeitos com o que encontrávamos. E toda vez a gente dizia exatamente a mesma coisa: “Como é que ele sabia?”, uma das histórias de de Contos de Lugares Distantes, Shaun Tan (ed. Cosac Naify)

10. “- A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais. É, portanto, um pisca-pisca.
O Visconde ficou novamente pensativo, de olhos no teto.
Emília riu-se.
– Está vendo como é filosófica a minha ideia? O Senhor Visconde já está de olhos parados, erguidos para o forro. Quer dizer que pensa que entendeu… A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos. Por fim pisca pela última vez e morre.
– E depois que morre? – perguntou o Visconde.
– Depois que morre vira hipótese. É ou não é?
O Visconde teve de concordar que era.”, do livro Memórias da Emília, Monteiro Lobato, 1936 (ed. Globo)

11. mafaldacomradioMafalda, de Quino.

12. ondevivemosmonstrosilustracao Onde Vivem os Monstros, de Maurice Sendak (Ed. Cosac Naify)
13.
La Luna, curta da Pixar

14.

onibus1Ônibus, de Marianne Dubuc (ed. Jujuba)

15.

Músicos e Dançarinos, animação de Laurent Cardon para canção da Palavra Cantada

16.

ovo

 

e

ovo 1Tira de Bruxinha Zuzu, de Eva Furnari (ed. Moderna)

17. 
Uma Galinha Para Brincar, Cia Truks no teatro com objetos

18. oliverachadosabraco

Achados e Perdidos, livro de Oliver Jeffers (ed. Salamandra)

19.

O menino ia no mato
E a onça comeu ele.
Depois o caminhão passou por dentro do corpo do menino
E ele foi contar para a mãe.
A mãe disse: mas se a onça comeu você, como é que o caminhão passou por dentro do seu corpo?
É que o caminhão só passou renteando meu corpo
E eu desviei depressa.
Olha, mãe, eu só queria inventar uma poesia.
Eu não preciso de fazer razão.

Manoel de Barros

 

E sempre tem mais. Ainda bem. 

 

 

 

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