BICHOLÓGICO, bobices e brincadeiras

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A primeira coisa que posso falar sobre o livro Bichológico, da artista gaúcha Paula Taitelbaum e lançado pela Editora Piu, é urgente: ler antes de dormir não é recomendado, sob o risco de espantar o sono para longe, bem longe.

Aconteceu comigo e Clarice, minha filha de 4 anos, ontem. O livro já vive na minha casa desde o ano passado, mas foi ontem que ele encontrou a Clarice. Comecei a ler. A primeira página narrativa tem uma círculo amarelo. Ao lado, o início da história:

 

Era uma vez um gato chinês.

 

Em volta desta segunda página, recortes de papel em vários formatos e cores espalhados. Virando a página, o tal gato aparece:

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Na página que forma a dupla, a outra:

BICHOLOGICOGATOSIATEXTO

Na terceira dupla que se segue, de um lado vemos o gato com recortes, do outro, vemos os recortes faltantes e a frase:

 

Era uma vez um gato chinês vampiro

Com bigodes longos como um longo suspiro

E sobrancelhas vermelhas de tanto dar espirro.

 

Virando a página pela quarta vez, vemos o gato com mais detalhes à esquerda e, à direita, menos papéis e:

 

Era uma vez um gato chinês caipira

Com um nariz que mais parecia alvo de mira

E franja pontuda cor de safira.

 

E segue:

 

Era uma vez um gato chinês metaleiro

Com suíças iguais às de um roqueiro

E um charmoso chapéu de cozinheiro.

Era uma vez um gato chinês.

Quer que eu desmanche e conte outra vez?

 

E lá fui chacoalhar o livro…

Para quê? Clarice começou a gritar! Pensam que eu contei o livro todo? Que nada!

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Tudo recomeça mais algumas vezes e formando novos animais bem diferentes e engraçados (como este macaco acima). As rimas, o estranhamento das ilustrações, as palavras que ela não entende o significado como “bisonho”, “marquês” e “olheiras” e, claro, a situação repetitiva de entender o bicho e depois ver ele se desmanchar e formar outro faziam Clarice berrar a cada virada! A menina acelerou a toda com tanto divertimento e com a cadência que eu firmava na leitura. Foi uma delícia e mostra que a projeto do livro de Paula cumpre seu papel, deixando uma vontade de repetir no dia seguinte depois, claro, de finalmente a noite de sono começar!

No final, um dicionário seleciona palavras para os leitores mais velhos tirarem as dúvidas. Mas, sem dúvida, o compasso provocado pelo Bichológico chega completo, principalmente sob a leitura em voz alta.

 

Bichológico (Ed. Piu)

Textos e ilustrações de Paula Taitelbaum

2016

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