Pocotó, de Silvana Rando

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Aqui em casa vivemos vários “livros do momento”. Alguns não saem da lista, como verdadeiros clássicos mesmo, outros ora são deixados em descanso e entram outros. Vou contar a vocês como Pocotó (Editora Compor), o delicioso novo livro de Silvana Rando, habita meus dias.

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Clarice, minha filha que hoje completa 2 anos e 4 meses de vida está há mais ou menos um mês grudada no livro. A primeira vez que eu li para ela, Clarice estava jantando. Terminei a leitura e já queria partir para outro quando ela gritou: “mamãe, o do cavalo, o do cavalo!”. Li mais uma vez. E outra, e outra. E vocês sabem como termina esta história. Foram, acredito, umas oito lidas desta vez.

Ah, mas não contei ainda a outra a história, a do livro. Em uma fazenda próxima ao castelo do Rei Bigodudo havia um cavalo muito forte e disposto chamado Trovão. O maior sonho dele era fazer parte da guarda real mas isso não era nada fácil. Todos os anos ele entrava na fila em busca de uma vaga, mas não conseguia. Uma vez, no entanto, o rei demorou mais para escolher um cavalo até que viu Trovão e gritou: “É esse! É perfeito! Vamos ficar com ele!”. Sim, Trovão realizava o sonho de trabalhar no Castelo. Mas… sua função era, digamos, outra.

É aí que entra a Princesa Pipoca! O rei estava, na verdade, procurando um cavalo para fazer companhia à filha e, claro, ela ficou muitíssimo feliz com a escolha. Cuidou muito bem dele, como a gente vê aqui na ilustra. Um carinho só.

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Pois até aí já descorre uma das artes e belezas da forma de contar história de Silvana: com humor e criando identificação imediata com a criança, ela mescla as frases com as ilustrações para contar a história. A ponta de ironia – uma característica da autora (também autora de Peppa e Gildo) – se dá nesse diálogo entre imagem e texto que, para mim, é uma espécie de riqueza escondida: a criança não percebe a forma, mas se entrega completamente. Em uma das lidas, eu disse para minha filha que a protagonista se parecia com ela – por causa da cor do cabelo e dos cachinhos. Um dia, ela, que sempre conta a história junto comigo, me corrigiu na leitura: “não é Princesa Pipoca. É Clarice Pipoca”. E lá foi ela entrar no livro de Silvana de um jeito que os adultos dificilmente conseguem.

O final do livro reserva uma surpresa para a história. Quando a gente imagina que Trovão virou apenas um animal de estimação, ele nos surpreende, tornando a história simples um lugar para o leitor querer revisitar e acompanhar o desenvolvimento dela. Esta volta é também uma viagem pelo projeto gráfico: é hora de olhar os detalhes nas ilustras da história, reparar nas guardas da capa, nas apresentações dos personagens que não são redundantes – a cada lida descobrimos algo novo.

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Aqui em casa, parece que ele não vai sair do lado da Clarice tão cedo…

 

Pocotó (Ed. Compor)

textos e ilustrações de Silvana Rando

2014

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