Castelo Rá-Tim-Bum: histórias e memórias

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O que causaria a você encontrar os figurinos e cenários de seu programa preferido na infância? Sim, aquele programa guardado em seu Esconderijo do Tempo? Segue aqui um relato de Beatriz Fiorotto, 19 anos de idade e estudante de Rádio e TV, e que cresceu ouvindo “bumbumbum, Castelo Rá-Tim-Bum” e, esta semana, foi à TV Cultura conferir a exposição que começa as comemorações de 20 anos da estreia de um dos mais premiados programas infantis brasileiros. O canal, que completa 45 anos de atividade este ano, abriu as portas para participar da 12ª Semana de Museus, evento promovido pelo governo do Estado de São Paulo, cujo tema este ano é Museus: as Coleções Criam Conexões.

Segue o texto sensível de Beatriz para todos viajarem no tempo ao lado dela!

É pique, é hora, Rá-Tim-Bum!

No dia 13 de maio de 2014, peguei um ônibus que saía do Terminal Barra Funda e me levava pra um encontro delicioso. A TV e Rádio Cultura abriram as portas para uma visita que faz parte da programação da 12ª Semana de Museus, evento anual que comemora o dia do museu (18/05). Os visitantes inscritos por e-mail foram levados pelas dependências da TV e da rádio, pra entrar em estúdios, conhecer cenários e até bater um papinho com alguns dos comunicadores de lá.

Mas o grande motivo da visita foi a exposição que celebra os 20 anos do Castelo Rá-Tim-Bum, amado, idolatrado (salve, salve!) por quase todos que tiveram a oportunidade de ver os episódios. (o programa foi produzido de 1994 a 1997, mas ainda nunca deixou de ser exibido).

 

   “Morcego, ratazana, baratinha e companhia! Está na hora da feitiçariaaaa!”

“Morcego, ratazana, baratinha e companhia! Está na hora da feitiçariaaaa!”

Fomos levados até o Museu FPA (Fundação Padre Anchieta) para conferir figurinos, peças de cenários, bonecos, artes conceituais e até cartinhas enviadas pelos fãs pequeninos na época da exibição original. A reação geral foi linda. Todos queriam fotos com os personagens (uma selfie com a Celeste era quase parada obrigatória), e olhavam com encantamento nos olhos.

Provavelmente, o item mais impressionante é a maquete feita por Silvio Galvão, chefe do Departamento de Efeitos Especiais da TV Cultura no período. Enorme, foi usada para fazer cenas externas, a abertura e o encerramento do programa. Muitos passaram vários minutos apreciando a obra, e abrindo um sorriso a cada nova surpresa nos cantinhos: gárgulas, janelinhas e até a bandeirinha do castelo, fincada no topo da torre mais alta.

O jeito mais fácil de captar o castelo todo era de longe. Assim, bem de lonjão mesmo
O jeito mais fácil de captar o castelo todo era de longe. Assim, bem de lonjão mesmo

Me senti num sonho. Como fã de programas infantis e estudante de Rádio e TV, me encantei com os detalhes de produção, com o cuidado com os materiais, as cores, tudo. E descobrir certas alusões (como a da constituição da fantasia do Etevaldo, que referencia até a Esfinge com seu queixo alongado) feitas pelos artistas envolvidos foi impressionante. Mas quem se sentiu melhor mesmo foi a Beatriz criança, que sentava no tapete da sala pra acompanhar histórias maravilhosas contadas por gente que sabia o que estava fazendo.

 

Mau, que na verdade é um cara legal!
Mau, que na verdade é um cara legal!

 

Na hora da saída, todos pareceram olhar pra trás com vontade de ficar bem mais. A frase “Nossa, não quero sair daqui nunca!” foi constantemente falada. Por mim, inclusive!

Ao final, fomos convidados a preencher uma ficha cadastral dentro de uma salinha. E mal sabíamos as surpresas que nos esperavam.

A tal salinha estava abrigando bonecos, fantasias e outros registros de vários outros programas da TV Cultura, como o Garibaldo da primeira versão brasileira de Vila Sésamo, da década de 70, o Xis do X-Tudo, o Coisinho da Ilha Rá-Tim-Bum, o Galo Galileu do Cocoricó… Entre vários outros personagens e objetos de cenografia. Todos ficaram felicíssimos com a surpresa, e sacaram as câmeras e celulares para mais fotos.

Garibaldo, Xis e Coisinho: encontro de gerações! O bonecão da Vila Sésamo, que é amarelo no original americano, aqui era azul porque o programa exibido no início dos anos 70 era em preto e branco
Garibaldo, Xis e Coisinho: encontro de gerações! O bonecão da Vila Sésamo, que é amarelo no original americano, aqui era azul porque o programa exibido no início dos anos 70 era em preto e branco

Ver os personagens de perto foi muito bom! Me senti agradecida, feliz, e cumprimentei um por um. Bem baixinho, mas cumprimentei.

Fantasia usada por Carlos Mariano e Gisela Arantes nas gravações de Glub-Glub! Demais!
Fantasia usada por Carlos Mariano e Gisela Arantes nas gravações de Glub-Glub! Demais!

Essa exposição já teve suas inscrições encerradas. Mas pra quem se animou e quer ver de pertinho esses itens sensacionais, em julho o MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, vai abrigar uma megaexposição para entrar nas comemorações dos 20 anos do Castelo Rá-Tim-Bum. Ainda não tem data confirmada, mas vale a pena ficar de olhos e ouvidos atentos!

 

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